06/07/2007
Intelectuais assinam manifesto protestando contra a política de segurança do Rio
.Diante da gravidade dos resultados das ações policiais recentemente realizadas sob a orientação da política de segurança pública do Governo do Estado do Rio de Janeiro (com aprovação/apoio do Governo Federal e do Governo Municipal), um grupo de acadêmicos que reside e realiza suas pesquisas na cidade do Rio de Janeiro decidiu se manifestar
.Da Rede de Comunidades e Movimentos contra Violência


O texto enviado ainda no sábado para a Rede de Comunidades e Movimentos contra Violência se transformou em um manifesto político que reúne assinaturas não só de intelectuais, mas também de representantes de movimentos sociais e ONGs.

A lista que se iniciou com as três assinaturas dos autores do documento - Luiz Antonio Machado da Silva (Iuperj/UFRJ), Patricia Birman (Uerj) e Márcia Pereira Leite (Uerj) - agora conta com 370 assinaturas. Vale destacar a adesão de profissionais de diferentes instituições brasileiras, como Plínio de Arruda Sampaio (UNICAMP), Francisco de Oliveira (USP), Paulo Eduardo Arantes (USP), Regina Novaes (Antropóloga, pesquisadora do CNPq e consultora do IBASE), Nelson Pereira dos Santos (UFF), Roberto Leher (UFRJ), José Paulo Netto (UFRJ), Dulce Pandolfi (IBASE e pesquisadora do Cpdoc/FGV), Hélio R. S. Silva (UFSC), José Sergio Leite Lopes (UFRJ), Rosilene Alvim (UFRJ), Bela Feldman-Bianco (Unicamp), Virgínia Fontes (Fiocruz e UFF), Angela Mendes de Almeida (Observatório da Violência Policial - PUC-SP), Pedro Rodolfo Bodê de Moraes (UFPR) e José Mariani de Sá Carvalho (PUC -Rio); além da adesão de intelectuais de reconhecidas instituições internacionais, como Licia Valladares (Université de Lille 1, França), Edmond Preteceille (Science Po, Paris, França), Michel Agier (EHESS - École de Hautes Études em Sciences Sociales, Paris), Angelina Peralva (CADIS-EHESS Paris e Universidade de Toulouse II), Armelle Enders (Universidade Paris 4, Sorbonne, França), Wendy Muse Sinek (University of Califórnia - Berkeley) e Fernando Delgado (Harvard).

Para assinar esta nota, basta enviar uma mensagem para comunicacao.rede@gmail.com informando seus dados (nome e instituição/movimento/ONG). No campo 'assunto', preencha 'Chega de Massacres'. A atualização das assinaturas pode ser acompanhada através do site da Rede de Comunidades e Movimentos contra Violência (www.redecontraviolencia.org).

Leia o manifesto ‘Chega de Massacres’:

Nós, abaixo-assinados, consideramos inaceitável a política encaminhada pelo governo do estado no Morro do Alemão nos últimos dois meses com vistas a combater o tráfico de drogas. Esta política, que recentemente produziu mais de vinte mortes de homens, mulheres e crianças, desconsidera os direitos elementares da população. Desconsidera a obrigação de se respeitar a presunção de inocência daqueles que são alvos de tiros dados para matar. Desconsidera que não há pena de morte no nosso país.

Esta ausência de proteção aos moradores das regiões da cidade mais afetados pelo tráfico implica uma política de extermínio de uma população desarmada. Somos solidários a esta população que reclama paz porque quer viver em segurança: nem sob o despotismo do tráfico, nem sob a violência da polícia. Caso se tratasse de uma guerra, como declaram frequentemente as autoridades estaduais, esta deveria, ao menos, obedecer à Convenção de Genebra, fazendo uma diferenciação clara entre alvos militares e a população civil. Portanto, mesmo nesta absurda hipótese, o ataque indiscriminado a alvos mal especificados num espaço densamente habitado configura uma ação ilegal e criminosa contra seus habitantes.

Queremos afirmar a nossa indignação e a nossa revolta diante desta modalidade de combate ao crime posta em prática pelo atual governo. Sua eleição não lhe faculta determinar pela força das armas quem pode viver ou morrer nas favelas e periferias urbanas. Protestamos veementemente e exigimos que o governo do estado suspenda o que entendemos como a oficialização de uma política de extermínio no Rio de Janeiro. Quanto ao que já ocorreu, exigimos transparência: que sejam fornecidos dados sobre as vítimas e investigadas as responsabilidades pelas mortes e ferimentos ocasionados pelas «operações» policiais. Admitimos que a proximidade do PAN pode exigir planos de segurança especiais para a cidade. O que não justifica, no entanto, o que parecem ser, cada vez mais, massacres organizados.

Saiba quem assinou clicando aqui.

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Rede Nacional de Jornalistas Populares - Renajorp

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