| 12/05/2007
CPI para a moralização do futebol carioca
A Ferj, segundo denúncias do Ministério Público, tem feito pagamentos com dinheiro vivo, sem contracheque e/ou recibos. "Então - prossegue o deputado - como esta falta de transparência não pode continuar o pedido pela instalação da CPI gerou uma grande campanha de coleta de assinaturas pela moralização do futebol no Rio de Janeiro, o que acho extremamente importante em vista do peso do futebol na vida das pessoas e da sociedade". É uma CPI focada na Federação (Ferj), e não uma CPI do futebol (que já existe). Esta é para investigar a gestão da Ferj. O futebol é uma questão de interesse público, como basta ver o que acontece na cidade do Rio de Janeiro todos os domingos. "A população não estará falando em outro assunto. É algo que tem um grau de mobilização e de interesse na sociedade como um todo, e aí ultrapassa todas as classes, todas as barreiras, é algo muito interessante. Então, por tudo o que envolve obviamente que é de interesse público", justifica o deputado. A campanha de adesão popular na coleta de assinaturas pela instalação da CPI terminou domingo (06/05) nas portas do Maracanã, com o último jogo do Campeonato Carioca, quando venceu o Flamengo sobre o Botafogo numa disputa de pênaltis. Foi uma campanha massiva com barraquinhas nas ruas, com faixas e camisas. Forma de mobilização e pressão política, já que a opinião do deputado deve estar ligada à opinião pública. É a mobilização popular chegando e partindo da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo Marcelo Freixo, 40 anos, professor de história em seu primeiro mandato como deputado estadual, "o papel do mandato popular é este, não só em relação ao futebol com em qualquer outro assunto". Os cartolas A Ferj, entidade privada, é formada e eleita pelos dirigentes dos clubes de futebol, também conhecidos como 'cartolas'. A CPI vai investigar a gestão financeira dos recursos apurados nas partidas do Campeonato de Futebol em face do seu vínculo direto com a arrecadação de recursos destinados à Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj), no que diz respeito, por exemplo, ao valor que pagam à Suderj, por cada jogo, já que esta é responsável pelo Maracanã. E o cumprimento dos dispositivos do Estatuto do Torcedor. Já existem as assinaturas dos deputados para a abertura da CPI, agora só falta aprovação em plenário para ser imediatamente instalada. "Almocei - relata Freixo - com o presidente do Flamengo, Marcio Braga; com o do Botafogo, Bebeto e com o do América. Esses três clubes apóiam a instalação da CPI pela moralização do futebol e o cumprimento do Estatuto do Torcedor. O futebol é vida, é sentimento, é algo identificável com a história do povo brasileiro. Tem que se trazer e se ter este debate para o bom campo da política, não para a política suja, que já é hegemônica no futebol". Questionado sobre a situação do futebol no restante do país, concluiu Freixo: "A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também tem vários problemas que precisam de um olhar mais cuidadoso do próprio poder legislativo federal, mas está fora da minha alçada como deputado estadual".
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