| 12/10/2006
Ocupação Quilombo das Guerreiras resiste .Sem-teto convocam todos para manifestação de apoio na próxima segunda (16/10), a partir das 13h
Na tarde de ontem (11/10), seguranças da Docas impediram a entrada de um caminhão pipa na área onde está localizado o imóvel, o que gerou tumulto. A ação dos seguranças desrespeitou o acordo feito no dia anterior, na presença do Ministério Público e da Secretaria Estadual de Direitos Humanos, segundo o qual a entrada de alimentos e água na ocupação seria liberada. No momento, o trânsito de pessoas no local foi liberado, mas os ocupantes continuam sem água e luz.
A situação agora é estável e a possibilidade de uma ação de despejo no final de semana é remota. Está marcada a visita de um oficial de justiça à ocupação na próxima segunda-feira (16/10), às 15h, para entregar a liminar de despejo aos ocupantes. Os sem-teto convocam todos para uma manifestação de apoio à Ocupação Quilombo das Guerreiras a partir das 13h. O endereço da ocupação é Avenida Francisco Bicalho, 49, Centro do Rio (próximo à Rodoviária Novo Rio).
A falta de uma política habitacional que realmente atinja a população de baixa renda obriga milhões de famílias humildes a morar sem a mínima dignidade em barracos, cortiços, nas ruas ou em abrigos. A população pobre sofre sem ter onde morar, mas não sabe que há milhões de imóveis abandonados, mais de 5 milhões, crime tanto do ponto de vista moral, já que tanta gente precisa de moradia, quanto do ponto de vista legal, já que deixar um imóvel sem uso durante anos contraria a Constituição Federal (Art. V) e o Estatuto das Cidades (Lei 10.257). Por isso, nós, 150 famílias de trabalhadores e trabalhadoras sem teto ocupapamos este prédio abandonado a mais de 15 anos e batizamos essa Ocupação Quilombo das Guerreiras em homenagem à resistência daqueles que lutaram por tantos séculos nas ocupações chamadas de Quilombos e também em homenagem à luta das mulheres, mães, irmãs e companheiras que tanto sofrem com a falta de emprego, educação e moradia. As autoridades não perdem tempo em dizer que Ocupar é "caso de polícia". O que eles procuram esconder com esse discurso é que o verdadeiro caso de polícia é a especulação imobiliária que permite que tantos imóveis estejam abandonados à espera do momento certo (e do dinheiro público, é claro!) para que eles sejam negociados. Caso de polícia é o cinismo de políticos que transformaram a necessidade de moradia numa promessa de eleição que, se depender deles, nunca será cumprida. Diante de tanto descaso, Ocupar, que é um ato de necessidade, em hipótese algum pode ser considerado crime, mas um direito e um dever. Venha se juntar à nossa luta. Ocupar, Resistir, Produzir! Ocupação
Quilombo das Guerreiras (outubro de 2006).
____________________
_______________
|