08/10/2006
Dia das crianças na Maré tem prostesto contra violência policial
.Em protesto à morte de cerca de cinco crianças, moradores da Maré promovem um grande ato contra a violência policial no Dia das Crianças, 12 de outubro. No dia das eleições, o menino Rennan, de 3 anos, foi assassinado pela PM
.Por Jornalistas Populares


Em protesto à morte de cerca de cinco crianças, no mês de setembro, praticada por policiais, moradores da Maré, juntamente com a Rede de Comunidades Contra a Violência e organizações não-governamentais de dentro e fora da Maré estão organizando um grande ato contra a violência policial no Dia das Crianças.

O evento será no dia 12 de outubro, às 13h, na Praça da comunidade Nova Holanda, no Complexo da Maré, onde foi assassinado por policiais, no dia das eleições, o menino Rennan, de 3 anos. De acordo com os organizadores, o ato contará com uma caminhada nas principais comunidades da Maré, com atividades culturais e a presença de moradores de outras comunidades do Rio de Janeiro.


Estado criminoso

.O Estado cometeu mais um crime no Complexo da Maré e a vítima desta vez foi Rennan Ribeiro, de apenas 3 anos. No domingo de eleição, quando os moradores da Maré exerciam o ato de cidadania, aliás, em um momento em que as comunidades do Rio de Janeiro são lembradas pois os seus votos ficam cotados a preço de ouro, a Polícia Militar (PM) fez a sua parte no show da democracia com eficiência.
.Por Jornalistas Populares
O Estado cometeu mais um crime no Complexo da Maré e a vítima desta vez foi Rennan Ribeiro, de apenas 3 anos. No domingo de eleição, quando os moradores da Maré exerciam o ato de cidadania, aliás, em um momento em que as comunidades do Rio de Janeiro são lembradas pois os seus votos ficam cotados a preço de ouro, a Polícia Militar (PM) fez a sua parte no show da democracia com eficiência.

Na rua Principal, na comunidade Nova Holanda, três blazers da PM tomaram a rua, que deveria ter mais de 300 pessoas, em alta velocidade e dispararam tiros que atingiram fatalmente o abdômen de Rennan e Rafael Brito, de 21 anos, que levou um tiro no pé.

A PM alega que houve troca de tiros, mas, de acordo com testemunhas, não havia bandidos na rua e mesmo se houvesse a polícia não poderia, em hipótese alguma, sair atirando a esmo. Isso não ocorreria se fosse na Zona Sul. A política de extermínio do pobre, negro e favelado se dá desta forma nas favelas, pois o próprio Estado não a considera um local de direitos.

Se considerasse, levaria educação, saúde, saneamento, moradia, etc, e não uma polícia assassina. O ato deixou os moradores que assistiram a trágica cena inconformados e foram cobrar providências ao comandante do 22° Batalhão da Polícia Militar, que fica na Maré, Ruy Loury, que atendeu aos familiares de Rennan e aos líderes comunitários com uma arma em punho, como se estes fossem bandidos.

A situação só não foi mais grave porque os líderes comunitários fizeram um cordão de isolamento para negociar com alguns moradores mais exaltados, que diante do inconformismo atiraram pedras e foram repelidos pela polícia com bombas de efeito moral e gás de pimenta. Isso causou pânico e correria que resultou em mulheres grávidas, idosos e crianças pisoteadas sem grande gravidade.

Enquanto isso, os policiais tentavam distorcer os fatos e faziam interrogatórios aos familiares como se eles tivessem praticado algum crime. Mesmo com a presença do recém eleito deputado estadual Marcelo Freixo, que é pesquisador da ONG Justiça Global, o diálogo não ocorreu de maneira satisfatória, e Freixo se comprometeu em acompanhar as investigações sobre o caso. Segundo testemunhas, após os disparos os PM's recolheram os projéteis que comprovaria a sua culpa no assassinato de Rennan. Até quando o Estado continuará dizimando os negros, pobres e favelados? Quando estes terão o seu direito à vida resguardado?

 
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